Com o fim das eleições, muitos empresários passaram a questionar se a Reforma Tributária continuará e quais medidas devem ser adotadas. A resposta é direta: a reforma continua e seu calendário de implantação permanece em andamento.

A mudança foi instituída pela Emenda Constitucional nº 132, promulgada em dezembro de 2023, e regulamentada principalmente pelas Leis Complementares nº 214/2025 e nº 227/2026.

A CBS — Contribuição sobre Bens e Serviços — substituirá o PIS e a Cofins e começará a ser efetivamente cobrada em janeiro de 2027. O IBS também inicia sua transição, enquanto a substituição gradual do ICMS e do ISS ocorrerá entre 2029 e 2032.

A alíquota da CBS já está definida?

Em 28 de outubro de 2026, o Tribunal de Contas da União aprovou o cálculo da alíquota de referência da CBS em 11,3%.

Isso não significa que todas as empresas e operações pagarão exatamente esse percentual. A carga efetiva dependerá da atividade, das reduções legais, dos regimes específicos, dos créditos permitidos, do enquadramento tributário e da forma de recolhimento.

Cinco providências que as empresas devem iniciar

1. Revisar a estratégia de preços

No novo sistema, a empresa poderá utilizar, conforme as regras legais, créditos relacionados aos tributos incidentes em determinadas aquisições. Isso altera o custo efetivo dos produtos, serviços e insumos. A revisão precisa considerar custos, despesas, tributos, créditos aproveitáveis e margem de lucro.

2. Avaliar e renegociar fornecedores

A escolha do fornecedor poderá influenciar o custo da operação e a possibilidade de aproveitamento de créditos. Será importante verificar a emissão correta das notas fiscais, o enquadramento do fornecedor e quanto de crédito a aquisição poderá gerar. Comprar somente pelo menor preço poderá não representar a opção mais econômica.

3. Preparar o fluxo de caixa para 2027

A reforma mudará a forma de apuração, aproveitamento de créditos e recolhimento dos tributos. A empresa deve simular o caixa dos primeiros meses de 2027, considerando prazos de recebimento e pagamento, necessidade de capital de giro e impacto tributário nas vendas.

4. Revisar contratos que continuarão em 2027

Contratos de longo prazo, com preço fixo ou reajustes previamente definidos, precisam prever o que acontecerá diante da mudança dos tributos. Sem uma cláusula adequada, a empresa poderá assumir sozinha um aumento de custo ou perder margem de lucro.

5. Preparar a equipe e os sistemas

A mudança não ficará restrita à contabilidade. Quem emite notas fiscais, compra, paga, forma preços e negocia com clientes precisa conhecer as novas rotinas. Também será necessário confirmar se os sistemas utilizados estarão preparados para os documentos e informações fiscais exigidos em 2027.

O que isso significa na prática?

A eleição acabou, mas o calendário da Reforma Tributária continua avançando. As empresas que começarem a preparação agora terão mais tempo para testar cenários, corrigir processos e tomar decisões com base em números reais. Quem deixar tudo para janeiro poderá enfrentar dificuldades nos preços, contratos, sistemas, créditos e fluxo de caixa.

Prepare sua empresa

Sua empresa já avaliou esses impactos?

A RBFilho pode analisar a realidade do seu negócio e identificar quais pontos precisam ser priorizados antes de 2027.

Solicitar diagnóstico ↗

Este conteúdo tem caráter informativo. A aplicação das regras depende das operações, dos documentos e do enquadramento de cada empresa.

Fontes oficiais:Receita Federal — marcos regulatóriosReceita Federal — cronogramaTCU — alíquota de referência